Todo pai quer, no mínimo, o melhor para sua filha. E sempre imagina ver sua filha casada com um rapaz respeitoso, honesto, trabalhador e que, por milagre de Deus, não seja pobre. Espera um genro que seja educado e até um pouco tímido, que não tenha vícios e que preserve o sexo para depois do casamento, mas que não seja gay. Ou seja, o pai sonha mais com o príncipe encantado do que a própria filha.
Porém, nem sempre, o pai tem a sorte de ter seu sonho realizado e, quando menos espera, vê um qualquerzinho sentado no seu sofá, abraçando a sua filha e rindo do seu pijama. Eu, acreditando na sorte que Deus me deu, com certeza vou ser um dos poucos privilegiados de ter um genro hippie, militante do movimento pela legalização da “alguma coisa canabis” e que, ainda por cima, seja o amor da vida da minha filha.
Todos os dias pares, e os ímpares também, vou chegar do trabalho e dar de cara com aquilo que minha filha chama de namorado, afinal este inútil não vai ter emprego e vai ser um recém-formado do 2º Grau. Ele estará sempre lá, impregnado, esperando qualquer oportunidade para ir até a geladeira e fazer aquele banquete as minhas custas. Isso sem contar nas inúmeras vezes que eu o pegar usando o banheiro de portas abertas.
E tem as vezes que eu ficarei acordado até altas horas em vigília constante, para que ele não tente fazer nada de errado com minha filha, ou então, sendo obrigado a escutar os seus futuros sucessos. O que me faz lembrar que, além de todas as qualidades supracitadas, ele pretenderá ser músico. Se fosse músico graduado em faculdade até que ia, mas é só músico, daqueles que tocam em barzinhos na esperança de um dia ficar famoso e fazer dinheiro cantando. E para piorar o filho da mãe, não terá talento algum.
Além disso, eu nunca vou saber a procedência desse individuo, aliás, ele não tem sobrenome é apenas Tchuco para minha filha e Marley para os amigos. Os pais dele devem ter desistido de criar a aberração e entregaram a um bando de hippies que passavam por ali. Porque quando eu perguntar onde ele mora e ele vai responder que a casa dele é o mundo. Ou melhor, era o mundo, porque o infeliz não sairá da minha casa.
O pior de tudo é que o pobre pai, no caso eu, terá que agüentar tudo calado. E compreender que a filha gosta do sujeito, e não importa quantas cervejas e salames ele roube da geladeira, ele será sempre meu querido e adorável genro e nunca poderei dizer tudo que realmente penso dele, isso tudo para não magoar a minha princesinha e não tomar aquele esporro da minha esposa, que por motivos desconhecidos vai adorar o menino e achar ele um doce.
Isto porque amor de mãe é assim mesmo, se a filha esta sorrindo ela também sorri. Mas, eu sei que o fulaninho não presta, porque de safadeza de genro só pai entende.
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Um dia o amor acaba
Um dia o amor acaba. Depois disto, o que resta? Um dia o amor acaba e eu não sei aonde a chama se extinguirá primeiro, se é em mim ou se é em você. No momento, não sei qual das duas hipóteses seria pior.
Por um lado posso sair como a vítima da história toda, o injustiçado, aquele que fez de um tudo um muito para que desse certo e no entanto foi recompensado com todo desprezo e indiferença que nem imaginava poder existir.
Por outro lado posso ser o vilão, aquele, que apesar de tudo, um dia vai acordar e não vai querer saber do amor, dos momentos a dois e vai mandar tudo pro ar, dizimando toda alegria que um dia seu sorriso carregou.
Pode ser que o amor não dure, e tornemo-nos somente bons amigos. Pode ser que numa experiência mágica decidamos ao mesmo tempo que não nos amamos mais e que tudo que passamos foi bom, mas já não servia mais. Que o nosso caso foi só mais um e nos faremos acreditar que há alguém muito especial a nossa espera, em algum lugar.
Pode ser que mesmo que seja assim, a dúvida bata em nossos corações e nós voltaremos, talvez por egoísmo, talvez por querer ter só para saber que se tem e assim mantemos por perto as lembranças.
Pode ser que o amor ainda dure, mas as divergências e os empecilhos que a vida impõe sejam mais fortes e desta forma tudo acabe. Nos veremos na rua, os olhares se cruzarão, o coração irá bater mais forte e descompassado, iremos ensaiar um sorriso, um aceno, abaixaremos a cabeça, e pensaremos “por que teve que ser assim?”
Pode ser ainda que ele não dure e nem se acabe, apenas se transforme outra coisa, em respeito, em amizade, em companheirismo. Coisas muito bacanas de curtir mas apenas com uma certa idade. O que é um namoro sem sentir aquele friozinho na barriga?
Pode ser que o amor dure para sempre e vivamos uma vida perfeita, sem brigas, discussões, preocupações e de forma que tudo pareça o “felizes para sempre” de todas os contos de fadas que já foram contados.
Pode ser também que nada disso aconteça, ou que tudo isso aconteça ao mesmo tempo. O amor não tem lógica e não serve para ser pensado. Então para que pensar na melhor forma de amar? Para que pensar se um dia ele se acabará? Melhor é viver o que a vida oferece para ser vivido. Melhor é deixar os pensamentos para as coisas que foram feitas para serem pensadas e simplesmente viver o presente.
Pode ser que um dia o amor acabe ou talvez não, isto é incerto e faz parte da vida. Mas estas dúvidas só são respondidas quando nos colocamos em movimento. Sendo assim, simplesmente amemos. Pode ser que um dia acabe, mas se abrirmos mão de nossos amores, pode ser que nunca vivamos.
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